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Quais os materiais indicados para impermeabilizar ambientes agressivos?

Alvo de uma série de pesquisas e estudos, resultado de avanços promovidos pela indústria química nas últimas décadas, as membranas de poliureia e de poliuretano, se caracterizam pelo desempenho mais elevado em quesitos como elasticidade e resistência à tração quando comparados aos produtos tradicionais de base asfáltica. Por isso mesmo, são indicados para aplicação em ambientes agressivos, como em reservatórios de água e de esgoto, piscinas, pisos industriais e lajes de estacionamentos.

“De modo geral, indicamos membranas de poliureia e de poliuretano para ambientes com limites de espessura e de sobrecarga”, explica o engenheiro Firmino Siqueira, consultor na área de impermeabilização e vice-presidente técnico do Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI). Segundo ele, esses produtos têm aplicação também em casos que precisam resistir a alta agressividade química e em locais sujeitos à abrasão excessiva. “Para impermeabilizações realizadas em ambientes confinados, onde o uso de asfaltos ou produtos com solventes podem trazer alto risco, as membranas de poliuretano e poliureia podem agregar muitas vantagens. O mesmo ocorre em locais com pressões hidrostáticas elevadas, uma vez que as membranas de poliureia e poliuretano têm baixíssima absorção de água, entre 10 e 20 vezes menos que os materiais asfálticos”, compara Siqueira.

COMO ESPECIFICAR MEMBRANAS DE POLIURETANO E POLIUREIA?

As características da poliureia e do poliuretano são variáveis em função da formulação utilizada e da quantidade de camadas aplicada. Isso significa que os produtos podem apresentar mais ou menos elasticidade, resistência à tração e dureza, de acordo com a necessidade.

A especificação desses produtos deve ir, portanto, muito além da mera escolha por um ou outro produto comercial. Para a engenheira Maria Amélia Silveira, consultora de impermeabilização e perícia técnica, é importante se atentar para o tipo de membrana, incluindo seus constituintes básicos, quantidade em kg/m² e espessura final. O projeto de impermeabilização com esses materiais deverá indicar, também, a necessidade de telas de reforço e, em caso positivo, especificar suas características, como gramatura e resistência à tração e ao alongamento.

CONTROLE DE EXECUÇÃO

As membranas de poliuretano e de poliureia despertam o interesse do construtor ao proporcionar vantagens na execução, como rapidez na liberação da área e a possibilidade de dispensar proteção mecânica. Obtidos pela síntese de derivados de petróleo, esses impermeabilizantes são misturas bicomponentes que podem ser aplicadas a quente ou a frio e são compostos por isocianato e poliol (no caso do poliuretano) e isocianato e poliamina (no caso da poliureia). “Esses compostos são de uma química fina, onde qualquer pequena falha na manipulação compromete o produto final”, destaca Siqueira. 

Por causa de suas características, as membranas de poliuretano e de poliureia não devem ser aplicadas onde há muita umidade no substrato e no ar, em locais sujeitos a variações bruscas e elevadas de temperatura, e quando há dificuldade em manter o ambiente limpo, isolado a tráfego de veículos e pessoas. “Poeira, pó, óleos, graxa e vento forte são limitadores à aplicação desses produtos. Já a incidência de chuva gera dificuldades quase intransponíveis ao uso desses materiais”, explica Siqueira.

Além de limpeza, a execução desse tipo de impermeabilização requer mão de obra treinada, bem como o uso de equipamentos adequados (bombas, compressores, mangueiras com aquecimento, máquina dosadora computadorizada, entre outros).

“Por mais que sejam flexíveis, esses materiais podem se romper muito antes dos limites nominais em virtude da forte aderência aos substratos. Isso pode ser consequência de fadiga ou das elevadas tensões que atuam na tração, gerando rupturas”, alerta Firmino Siqueira. Ele destaca que a aplicação de membranas de poliureia e de poliuretano demandam controles de execução muito mais rigorosos. Os detalhes mínimos devem ser observados, como a roupa utilizada pelo aplicador, que deve ser fechada para evitar que gotas de transpiração caiam sobre a superfície em tratamento.

Fonte: https://www.aecweb.com.br

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